Escrevi um poema para minha avó materna, inspirado num poema de uma outra pessoa, para a avó dela. Daí percebi/pensei que não tenho nenhuma foto de minha avó, pelo menos ao que me lembre, e pelo menos do jeito que me lembro dela. E meio que herdei uma parte do acervo de fotos antigas de família, que considero uma das coisas mais lindas que tenho - mesmo não cuidando tão bem quanto deveria.
Lembro-me muito bem de minha avó, ainda que ela tenha morrido quando eu ainda era criança. Era pequena - embora maior do que eu, uma criança pequena e franzina. Vovó era nem magra nem gorda, tinha rosto arredondado e cabelos longos, ondulados e meio grisalhos, mas não muito. Os cabelos ficavam normalmente presos num coque, isto quando eu não decidia fazer vários penteados diferentes nela, e ela deixava. Ela e minha mãe transmitiram as histórias de nossa família, as mesmas histórias que eu contei, ou busquei contar a meus filhos. Minha mãe dizia que foi graças à minha avó que eu sobrevivi, porque nascí meio fraca, e ela me levava todos os dias na praia, bem cedinho, pra tomar sol. Usava aqueles vestidos de vó de antigamente, e chinelos.
Era tranquila, mais das vezes, mas de vez em quando tinha uns rompantes de irritação; lembro bem de um dia em que estávamos vendo tv juntas e, num anúncio de sabão em pó, a menina (atriz criança) desmaia com o brilho das roupas, sendo amparada pelo menino (ator criança). ela ficou Muito Brava! Dizia, o que é isso, que falta de vergonha! Era o espírito dos novos tempos fustigando os brios dela... Não sei com quantos anos morreu, sei que foi de algo como câncer, mas estava velha para os parâmetros da época. Nunca a esqueci, foi uma das presenças mais inportantes do meu início de existência.
Eu precisava colocar o poema manuscrito:
P.S.: Antes do poema... Procurei o significado do nome - O nome Guiomar, de origem germânica e também bretã, significa "gloriosa" ou "amazona digna". 💖💖💖






